Brasileiro não pode ter ‘complexo de vira-lata’, diz diretor do Google

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    O diretor-geral do Google no Brasil, Fabio Coelho, afirmou nesta quinta-feira (18) que o brasileiro não pode ter “complexo de vira-lata” e deve apostar na sua capacidade de empreender.

    Ele criticou, porém, a falta de infraestrutura no país. Na sua avaliação, isso faz com que as empresas se preocupem com o “básico”, para que o usuário tenha acesso à internet, em vez de investirem no desenvolvimento do mercado.

    “A gente olha todas essas invenções que vêm de fora, mas não pode ter aquele mesmo complexo de vira-lata que a gente tinha no futebol até 1958. Temos condições de fazer isso aqui”, afirmou, durante o 1º Congresso Brasileiro de Internet, realizado em Brasília.

    O que falta ainda ao Brasil, segundo ele, é dispor de uma infraestrutura digital melhor. “A qualidade da nossa banda é tão ruim, tão insuficiente, tão desequilibrada e não depende de uma solução trivial, porque isso envolve dinheiro, investimentos das companhias.” Coelho ressaltou que outros país já estão “pensando no nível de cima”, “com muito mais capacidade de empreender digitalmente”.

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    “Aqui, essa camada do mercado é esquecida, porque a gente está pensando em algo mais básico, a gente está pensando em como gera acesso à internet para as pessoas.”

    Na avaliação do diretor do Google, há poucos núcleos de excelência no país, mas as empresas também têm de fazer a sua parte. “Não dá para esperar o governo fazer isso por nós”, disse.

    Para ele, embora políticas públicas ajudem bastante no florescimento do empreendedorismo, é preciso que o governo se dedique à ampliação do acesso à internet e regulação do setor. “É essencial ter um ambiente com regras claras e o marco civil está aí para isso, (…) porque o capital na era digital é muito mais arisco, se movimenta muito rápido, especialmente se a gente tiver burocracia e não tiver infraestrutura.”

    Governo
    No mesmo evento, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, reconheceu que o Brasil tem problemas sérios de infraestrutura de internet. “Há uma necessidade de termos mais cabos submarinos, porque de fato a diferença entre o preço que se pratica na internet no atacado, nos EUA, e o que se pratica aqui é muito grande. O valor aqui representa quase 20 vezes o preço que se paga lá. Com certeza, o transporte não custa tudo isso.”

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    Liberdade de expressão
    A liberdade de expressão na rede também foi tema de debate no congresso. Uma das defesas mais contundentes foi feita por Ronaldo Lemos, que é coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV-RJ (Fundação Getulio Vargas – Rio de Janeiro) e um dos elaboradores do projeto de lei do marco civil da internet, que pretende regula a internet no país. Ele também é diretor do Creative Commons Brasil, organização voltada ao compartilhamento de conteúdo online.

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    “O principal elemento para se discutir internet é haver liberdade de expressão”, observou. “Quando se fala em regimes ditatoriais, como a China, um conceito que me preocupa é o de information security, que diz respeito a quem pode ver o que e qual informação pode ser vista por quem. Esse conceito, que nasceu na China, começa lentamente a migrar de forma discreta para fora, o que traz muita preocupação. Com isso, a ideia de liberdade de expressão fica prejudicada.”

    Segundo Lemos, a questão ainda não está bem elaborada no Brasil. Ele exemplificou com a recente polêmica envolvendo a biografia do cantor Roberto Carlos. Uma medida judicial determinou o recolhimento da obra nas livrarias, porque não tinha sido autorizada.

    “No Brasil, a pessoa tem de autorizar a biografia ou o seu descendente. Isso traz um problema, por que quem vai querer ler só biografias autorizadas? Quanto mais visões plurais houver de uma vida humana melhor para reconstruir aquele fato”, pondera. Segundo ele, “é errado o judiciário se meter”. No início deste mês, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que permite a publicação de biografias sem autorização. A proposta agora aguarda parecer do Senado.

    Lemos afirmou ainda que algo parecido, o cerceamento da liberdade de expressão, acontece com os jogos eletrônicos. “Muitos acabam sendo proibidos porque são considerados violentos, mas, em alguns casos, nem a justificativa fica clara. As proibições deveriam ser proibidas no Brasil. É proibir proibir.”

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