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A hora certa de André Santos

A dupla Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari já falou abertamente sobre a importância da Copa das Confederações da FIFA para determinar o grupo que, um ano depois, defenderá o Brasil na Copa do Mundo da FIFA: pelo menos 80% da lista deve ser definida com base em quem for convocado no próximo mês de junho. Conseguir uma oportunidade na Seleção Brasileira a algumas semanas do Festival dos Campeões, portanto, deveria ser algo para ser tratado com entusiasmo e otimismo – a não ser que você tenha uma razão boa, mas realmente muito boa, para preferir ficar cauteloso. Uma razão como a que André Santos tem.

Por muito que deixe clara sua satisfação por estar de volta à Seleção, quando fala a respeito disso o lateral-esquerdo não abre mão de manter um tom de seriedade; um discurso de quem sabe que a missão está só no começo. Um tempo atrás, afinal, ele estava perto de disputar seu primeiro Mundial – bem mais perto do que está hoje – e viu o sonho ruir por sua própria culpa, como admite hoje com placidez.

“Eu cometi erros. Foram sobretudo questões de distração: quando você está na Seleção, tem que se concentrar ao máximo, o tempo todo, porque há milhares de jogadores que desejam aquela vaga”, comenta o gremista em conversa com o FIFA.com. “Eu não me dei conta disso e não tive a mentalidade necessária, tanto taticamente quanto fora de campo – com pisadas na bola, brincadeiras fora de hora. Aprendi essa lição e hoje acredito que posso chegar mais forte para tentar ir à Copa.”

Em 2009, após um primeiro semestre impecável, quando conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil com o Corinthians, André Santos foi chamado pela primeira vez para a Seleção Brasileira. E não uma convocação qualquer, mas já para duas partidas de eliminatórias da Copa do Mundo e também para a Copa das Confederações. Na África do Sul 2009, foi reserva de Kléber na estreia diante do Egito, entrou na segunda etapa e, a partir dali, não perdeu mais a vaga de titular no caminho até o título.

Estava tudo encaminhado para retornar à África do Sul no ano seguinte, até que veio a tal falta de concentração fora do campo. Sobretudo uma: na penúltima rodada das eliminatórias, em outubro daquele ano, em La Paz. André Santos se distraiu, confundiu o ponto de encontro no hotel e perdeu o ônibus que levou a equipe até o estádio para a partida. Como ele próprio diz, havia gente na fila à busca de uma ocasião. Nos meses seguintes, perdeu espaço para Michel Bastos, que foi quem Dunga acabou levando para a Copa do Mundo do ano seguinte. E assim, da maneira mais dolorida, André aprendeu a lição.

Lateral, mas lateral mesmo
Isso tudo dá conta da parte extracampo, mas hoje, aos 30 anos e depois de quase quatro no futebol europeu, André Santos também melhorou dentro do gramado – ou em como se posicionar dentro dele. Porque jogar bola o paulista sempre soube: a habilidade para se juntar à equipe no ataque é, reconhecidamente, seu forte. Mas, afinal, sendo um lateral, o que se espera dele é antes de tudo presença defensiva. E foi assim principalmente no Arsenal, clube que o comprou junto ao Fenerbahçe em 2011.

“O futebol inglês, além de ser um dos melhores, é um dos mais táticos do planeta, e eu custei um pouco para me adaptar a isso”, admite ele. “Mas acho que serviu para aprender sobre meu posicionamento. Lá eu aprendi que sou lateral e hoje estou totalmente adaptado a jogar assim: numa linha de quatro homens na defesa, com a primeira função de defender bem e, só quando for preciso, atacar com qualidade. Tenho jogado assim com o (Vanderlei) Luxemburgo no Grêmio, e isso é ainda mais verdade na Seleção Brasileira, onde há sempre tanto talento do meio-campo para a frente.”

A ideia de André Santos quando aceitou voltar ao Brasil por empréstimo, no início de 2013, era justamente essa: encontrar seu lugar no Grêmio, jogar bem pelo clube e, com isso, reencontrar um espaço na Seleção Brasileira. O que nem ele esperava é que tudo fosse acontecer tão rapidamente e que, pouco mais de um mês depois de sua estreia com os gaúchos, já fosse estar em duas listas de Felipão, ainda que listas contando exclusivamente com jogadores que atuam no país – para os amistosos contra a Bolívia, em que foi titular da vitória por 4 a 0, e agora contra o Chile, nesta quarta.

Vendo André novamente com a camisa amarela, fica até difícil acreditar que, até outro dia, só o que martelava sua cabeça eram as críticas que vinha recebendo na Inglaterra. “Isso só prova quanto um jogador precisa de confiança para render. É claro que eu não havia esquecido, de um dia para o outro, o futebol que sempre tive”, conta o lateral, que, no entanto, reconhece a força de seus concorrentes europeus na posição – Marcelo (Real Madrid), Adriano (Barcelona) e Filipe Luís (Atlético de Madri) – e, diante das experiências duras do passado, leva todo o bom momento com calma. “Ganhar vaga na Seleção numa Copa não é nada fácil. Só sei que tenho trabalhado demais e que estou feliz e motivado no Grêmio e, se eu estiver assim, as chances na Seleção vão vir. E agora vou encará-las com outra cabeça. Pode ter certeza.”

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