Novo diretor-geral da OMC diz que sua escolha demonstra prestígio do Brasil

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    Azevêdo defende a retomada da Rodada de Doha e critica medidas protecionistas adotadas por vários países.

    Em visita à Câmara nesta quarta-feira (22), o novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), embaixador Roberto Azevêdo, explicou as dificuldades e a complexidade do processo eleitoral que resultou na escolha dele para dirigir a OMC. Segundo ele, alguns países membros, sobretudo da União Europeia, insistiam em não dissociar a imagem do País (Brasil) emergente e a do embaixador.

    Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
    Reunião do colegiado com (2º à esq.) diretor eleito da Organização Mundial do Comércio (OMC), embaixador Roberto Azevêdo
    Visita: Azevêdo (de terno cinza) responde perguntas de deputados da Comissão de Relações Exteriores.

    “Além do reconhecimento da minha candidatura, a escolha demonstra a confiança e o prestígio internacional do momento por que passa o Brasil”, disse Azevêdo, que passa a dirigir a organização a partir de setembro em um mandato de quatro anos.

    “Quando emergentes mostram liderança e capacidade de participar de decisões com isenção, outros países passam a valorizá-lo por essas competências”, completou o embaixador, ao agradecer o apoio a sua candidatura de todos os setores do governo brasileiro, incluindo o poder legislativo, e destacando o voto de confiança de Portugal.

    Atuação na OMC 
    Azevêdo foi recebido na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e respondeu a perguntas de integrantes do colegiado.

    Questionado sobre de que maneira sua eleição poderá ajudar o desenvolvimento do Brasil, Azevêdo disse que como diretor da OMC não poderá pautar ações diretamente voltadas a países. “Minha atuação será isenta e envolve, por exemplo, sugestões ligadas a temas, nunca a países específicos”, disse.

    Quanto a avanços nas negociações em torno da Rodada de Doha, ele afirmou que este certamente será um dos assuntos a serem tratados. A Rodada de Doha visa diminuir as barreiras comerciais em todo o mundo, com foco no livre comércio para os países em desenvolvimento.

    “A rodada é extremamente importante, mas a evolução nesse processo tende a ser lenta”, disse. Ele disse ainda que a eleição dele pode ajudar, mesmo que indiretamente, a aceitação do Brasil como membro de uma cadeira no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

    Azevêdo também foi questionado sobre o crescente número de medidas protecionistas adotadas por vários países, sobretudo em razão do momento de crise internacional. “Isso não é benéfico para ninguém e o pior é que é uma medida que tende a ser copiada, permitindo que se alastre facilmente”, disse Azevêdo, que não acredita na eficácia de modelos econômicos fechados. Para ele, o caminho deve ser a busca de mais competitividade no mercado internacional.

    Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
    Diretor eleito da Organização Mundial do Comércio (OMC), embaixador Roberto Azevêdo participa de reunião com o colegiado da CREDN
    Azevêdo: primeiro brasileiro a comandar a OMC.

    Currículo
    Brasileiro, Roberto Azevêdo venceu o mexicano Hermínio Blanco, apontado como candidato dos países ricos, e vai comandar a OMC pelos próximos quatro anos. Baiano de 55 anos e formado em engenharia civil, desde 2008 é representante permanente do País na organização que congrega 159 países-membros e tem sede em Genebra, na Suíça.

    Na nota divulgada pelo Itamaraty para lançar a candidatura do embaixador brasileiro, ele foi apontado como “negociador-chave”. O Itamaraty também destacou a participação de Azevêdo na solução de disputas emblemáticas como o caso envolvendo os subsídios ao algodão, iniciado pelo Brasil contra os Estados Unidos.

    Reportagem – Murilo Souza
    Edição – Natalia Doederlein

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