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Pugilista do povo

Pugilista do povo

 

A vida de Sergio “Maravilla” Martínez não só parece um enredo de cinema, mas reflete a situação de seu país, Argentina, em suas passagens. Aos 37 anos é considerado pela crítica especializada o melhor peso médio da atualidade, e terceiro melhor pugilista independente de peso. Um brilho seu mesmo que tentem apagá-lo.

Iniciou no pugilismo tarde, sua estreia no profissional se deu aos 22 anos, em 2002 deixou sua pátria dada a crise econômica que assolou o território, foi para a Espanha com sua noiva e apenas 136 euros no bolso. “Sem documentos, estive preso, passei fome e aos domingos pedia comida à porta de uma igreja com os mendigos”, relatou à imprensa espanhola.

Instrutor particular em ginásio, modelo de campanhas da Nike e Adidas, porteiro em casas noturnas e bailarino. Martínez fez de tudo para sobreviver junto da família. A vida dura não lhe era algo desconhecido, na adolescência anos largara os estudos para trabalhar e ajudar na renda familiar.

Foi descobrir o que era uma ceia de jantar aos 14 anos. “Às vezes faltava comida”, relembra em reportagens na qual demonstra vocabulário rico ainda mais para quem teve de deixar a escola.

Nas pelejas internacionais tem de enfrentar não apenas seu oponente, mas também árbitros, jurados e todo um jogo de bastidores, como tantos pugilistas sul-americanos, porém impôs seu nome no meio em um jogo que marketing constrói e derruba lutadores e que o mantém afastado do grande público, mesmo advogando contra o assédio moral (bullying) e dando bons exemplos para jovens e justifica os cinturões mundiais de médios e meio-médios em sua coleção.

No dia de hoje a Argentina comemora sua independência da coroa espanhola, Sergio “Maravilla” Martínez é um exemplo disto, mesmo sem proteções e o apoio de dirigentes e empresários brilha mais que a prata que dá nome ao seu país, do modo que a verdade reluz entre a lama, assim como o povo argentino que busca condições melhores e não tem muitas opções dentre aqueles que se dizem líderes do país.

Martínez não é um campeão feito por governos, empresas, marcas e políticos, é um campeão do povo.

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