7 de Setembro: policiais dizem que convocações para atos pró-Bolsonaro cresceram, mas adesão pode ser menor

7 de Setembro: policiais dizem que convocações para atos pró-Bolsonaro cresceram, mas adesão pode ser menor
7 de Setembro: policiais dizem que convocações para atos pró-Bolsonaro cresceram, mas adesão pode ser menor
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12:20:31

Policiais de diversos Estados do Brasil anunciaram que participarão dos protestos a favor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) marcados para 7 de Setembro, Dia da Independência.BBC News

não ser identificado.

Alguns policiais de alta patente e políticos também estão fazendo campanha para que a categoria compareça em peso, especialmente no ato que ocorrerá na avenida Paulista, no centro de São Paulo. Mas alguns deles estão sendo atacados nas redes sociais e até punidos.

Nesta semana, o governador de São Paulo, João Doria, afastou o coronel Aleksander Lacerda, por indisciplina, depois que ele convocou policiais para o protesto pró-Bolsonaro na Paulista.

Lacerda estava à frente do Comando de Policiamento do Interior 7, responsável por 78 municípios na região de Sorocaba, no Estado de São Paulo.

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“Aqui em São Paulo, não teremos manifestações de policiais militares da ativa de ordem política (…) Não admitiremos nenhuma postura de indisciplina”, disse o governador após a decisão.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afastou comandante da PM que fazia propaganda de atos pró-Bolsonaro© Wilson Dias/Agência Brasil O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afastou comandante da PM que fazia propaganda de atos pró-Bolsonaro

Policiais ouvidos pela reportagem disseram que a punição foi vista como exemplar para que seus colegas de farda e subordinados não tenham a mesma postura.

Porém, em entrevista ao portal UOL, o deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) disse que a categoria alugou ao menos 50 ônibus em cidades do interior paulista para que policiais pudessem se deslocar para participar do ato na capital.

A reportagem procurou secretarias estaduais de Segurança Pública para saber como os governos vão se preparar para essas manifestações.

A Polícia Militar do Distrito Federal informou que “as ações da PMDF são pautadas na observância dos direitos humanos e nos princípios constitucionais” e que vai atuar “para garantir a segurança dos manifestantes e a integridade do patrimônio público ou privado”.

A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal informou que fará um “planejamento prévio, com a participação dos envolvidos, com objetivo de garantir a segurança dos manifestantes e da população em geral”.

A pasta disse ainda que “cabe destacar que o Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob), é responsável pelo acompanhamento de todo ato ou evento, mesmo sem comunicação prévia. Esse monitoramento é feito de maneira integrada entre as forças de segurança e outros 29 órgãos, bem como instituições e agências do governo, com suporte de câmeras de videomonitoramento.”

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e a Polícia Militar não responderam como será a operação durante o protesto marcado para o feriado.

O governo apenas informou que a avenida Paulista deve ser utilizada somente por quem for participar do ato pró-Bolsonaro. A intenção é evitar confrontos com possíveis manifestantes anti-governo.

Incentivo

Bolsonaro convocou manifestações de apoiadores para 7 de setembro© Reuters Bolsonaro convocou manifestações de apoiadores para 7 de setembro

Policiais ouvidos pela BBC News Brasil que se disseram ser contra o protesto, afirmaram que a imprensa está “apagando o fogo com gasolina” ao dar visibilidade a um ato “promovido por poucos policiais”.

“A imprensa tem que lembrar que essas pessoas são militares. Se acontecer um protesto como estão prometendo, é motim. E eles terão de responder pelo crime de motim, previsto no Código Penal Militar, que prevê até 20 anos de cadeia”, afirmou o policial que pediu para não ser identificado.

Para ele, os soldados gostam de expor que apoiam o presidente nas redes, mas dificilmente sairão às ruas.

“Exceto por salários, eu não consigo imaginar um bando de policiais, fardados ou não, segurando uma faixa em apoio ao Bolsonaro. O que pode acontecer é como no caso do Ceará, em 2020, quando um ato por salário virou motim. Mas da forma como estão propondo agora, acho que vai fracassar”, disse o PM paulista.

O ex-policial militar e membro do Fórum de Segurança Pública, Guaracy Mingardi disse que essa movimentação de policiais não teria ocorrido se os governadores não “tivessem sido tão condescendentes com a PM nos últimos anos”.

“Quando a PM foi além nos protestos e em diversas outras situações, ninguém foi punido. Os governos não souberam controlar as PMs, o que é função deles. Isso acontece em todos os países do mundo, mas aqui só punimos alguns casos individualmente e fracassamos”, afirmou.

Mingardi disse ainda que não é possível mensurar a força que os protestos terão, mas ele prevê que eles sejam enfraquecidos por diversos fatores.

O primeiro é que a estrutura militar para fazer a segurança do protesto terá muita gente e isso desfalcará aqueles que pretendem participar do ato.

“Os policiais vão se manifestar fardados? Isso dá uma diferença bem grande. O segundo ponto é que uma hora vai cair a ficha desses policiais de que eles não devem nada ao Bolsonaro e que a democratização foi ótima para eles. Durante o regime militar, só os oficiais podiam votar, imagine se manifestar. Esse apoio dos policiais é mais ideológico do que prático”, disse.

Policiais da ativa disseram à BBC News Brasil que apoiam Bolsonaro, mas não sabem se vão comparecer ao protesto, principalmente por conta do medo e punições e por “não valer a pena brigar” por um governo que não faz políticas para favorecer o trabalhador.

“Eu votei e concordo com o Bolsonaro na maioria das coisas que ele diz, mas não sei se vou ao protesto porque o presidente está deixando a desejar na economia. A inflação sobe sem parar, a gasolina está nas alturas e a nossa categoria está na mesma desde que ele assumiu”, afirmou o PM que pediu para não ser identificado.

O membro do Fórum de Segurança Pública Guaracy Mingardi disse que o protesto está sendo convocado majoritariamente por policiais de alta patente, como coronéis. Ele explica que isso ocorre porque essas pessoas já estão em altos cargos e não têm muito o que perder.

“O coronel já está no topo da categoria e perto da aposentadoria. Já o tenente-coronel, por exemplo, dificilmente faz isso porque a promoção dele para coronel precisa ser aprovada pelo governador, enquanto as patentes abaixo são por tempo, algo automático”, afirmou.

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