À beira de um “colapso nervoso”, a Europa posiciona-se face à Rússia

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24/01/2022

Os aliados europeus enviam caças e navios para o leste, enquanto Biden avalia opções militares. A movimentação “não pode ser ignorada”, disse o Kremlin. E as negociações estão tensas como nunca.

Com mais de cem mil tropas russas estacionadas na fronteira com a Ucrânia, temendo-se uma invasão, o Kremlin exigiu que a NATO retirasse as suas forças de países que entraram na aliança depois de 1997 – nomeadamente a Bulgária e a Roménia – e a resposta dos aliados europeus foi preparar-se para reforçá-las.

Espanha enviou navios para apoiar as forças na região, anunciou a NATO, estando a considerar mandar caças para a Bulgária. Este país deverá receber dois caças F-35 vindos dos Países Baixos em abril, tendo os holandeses unidades terrestres e navais prontas a intervir. Já a França mostrou-se pronta para colocar tropas na Roménia, e a Dinamarca vai adicionar quatro caças F-16 às patrulhas aéreas na Lituânia, tendo estacionado uma fragata no Báltico.

Todos se preparam para o pior cenário, enquanto Joe Biden avalia as suas opções militares, avançou a NBC. No seu retiro de campo, em Camp David, o Presidente americano recebeu da mão do seu secretário da Defesa, da Lloyd Austin, uma série de planos para dissuadir uma invasão da Ucrânia, incluindo o envio de tropas adicionais para as vizinhas Polónia e Roménia, voos de bombardeiros sobre a região ou a colocação de navios no Mar Negro – arriscando enfurecer ainda mais a Rússia. Entretanto, esta segunda-feira o porta-aviões americano USS Harry S. Truman juntou-se às patrulhas do Mediterrâneo, junto com as suas aeronaves, avançou o Guardian, sendo a primeira vez que o esquadrão inteiro de um porta-aviões fica sob pleno comando da NATO.

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É uma mudança marcada na posição da administração Biden, que até agora se mostrou pouco ansiosa de um conflito, recusando a possibilidade de intervir num eventual conflito na Ucrânia. Afinal, o Presidente está fragilizado pelo desastre no Afeganistão, é muito impopular – tem uma taxa de aprovação de apenas 41,9%, segundo a FiveThirtyEight – e mais de cinco em cada seis americanos estão contra o envio de tropas para a Ucrânia, mostra uma sondagem recente do Trafalgar Group

Isso não quer dizer que todas estas forças estacionadas na região tenham necessariamente de reagir no caso de uma invasão russa da Ucrânia, dado esta não ser membro da NATO. A principal exigência do Presidente Vladimir Putin é que a aliança se comprometa a nunca aceitar a Ucrânia como Estado membro, vendo-o como intrusão na sua esfera de influência. No entanto, certamente que todas estas movimentações militares, anunciadas horas antes das videoconferências que Biden tinha marcado com aliados europeus – incluindo com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, com o Presidente francês, Emmanuel Macron, bem como com o chanceler alemão, Olaf Scholz e com o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi – não mostram grande confiança nas negociações entre Washington e Moscovo.

“Estas ações e a crescente atividade da NATO nas nossas fronteiras não pode ser ignorada pelos nossos militares”, assegurou o porta-voz do Kremlim, Dmitry Peskov, citado pela agência estatal russa TASS. Onde se explicava que o objetivo destas manobras da NATO é “provocar a Rússia”, acrescentando que ”é óbvio que as elites ocidentais sabem perfeitamente que a Rússia não vai atacar a Ucrânia”, nas palavras do Clube de Discussão Valdai, Andrey Bystritsky.

No entanto, certamente nota-se algum nervosismo da parte do Governo britânico, que até já começou a retirar o seu pessoal diplomático de Kiev. Metade dos funcionários britânicos estacionados na capital ucraniana vão voltar para casa, avançou a BBC, algo que as autoridades ucranianas descreveram como prematuro. Enquanto o departamento de Estado americano ordenou aos familiares dos seus funcionários que saíssem do país, bem como todo o pessoal não-essencial, fazendo questão de frisar que não era uma evacuação. Mas admitindo à France Press que, no caso de uma invasão russa, “não estaria em posição de evacuar cidadãos dos EUA”.

O certo é que o continente europeu está em polvorosa face ao receio de guerra aberta no leste. “Tens que te manter calmo a fazer o que tens a fazer, e evitar um colapso nervoso”, declarou o Josep Borrell, responsável pelas relações externas da Comissão Europeia, perante os jornalistas, esta segunda-feira. “Nós sabemos muito bem qual é o grau das ameaças, e sem dúvida devemos evitar reações alarmistas”, apelou.

 

 

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