A verdade sobre a teologia da prosperidade

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O assunto hoje é “teologia da prosperidade” – um assunto um tanto quanto polêmico, eu sei… mas se você é um cristão em busca de crescer na verdade, é vital que você fique por dentro do que significa essa linha de pensamento.Gospel Prime

Os famigerados pregadores da Teologia da Prosperidade fazem uso da vida de alguns personagens, como Abraão, Jacó e o rei Salomão para fundamentar erroneamente algumas interpretações relacionadas às bênçãos financeiras como sendo abrangentes ao cristão contemporâneo.

A Teologia da Prosperidade, também conhecida por “Movimento Palavra de Fé,” ou “Ensino da Fé”, ou “Confissão Positiva” e “Evangelho da Prosperidade”, teve início nos EUA no século 19, com o pregador William Kenyon – influenciado por seitas metafísicas como Ciência da Mente, Ciência Cristã e Novo Pensamento que originou o Movimento da Fé (HANEGRAAF,1998, p.27-36). Mais tarde, a teologia da prosperidade aterrissou em solo brasileiro a partir da década de 1970, tendo como expoente desse movimento no país, o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), em 1977.

 

Desde o seu início, a teologia da prosperidade tem influenciado tanto igrejas tradicionais independentes quanto pentecostais mundo afora. Esta Teologia traz uma nova e distorcida interpretação dos textos sagrados, que troca as boas novas de Jesus para a salvação por solução de problemas financeiros, amorosos, de carreira e afins. Também ensina que a marca do cristão verdadeiro consiste em ter muita  para conquistar o que quiser, ser bem-sucedido nos negócios, ter plena saúde física, emocional e espiritual. Por outro lado, se o cristão é pobre ou está doente, isso, segundo defende esta teologia, é resultado direto de pecado, obra de feitiçaria, maldição, ou falta de fé. Neste aspecto, a Teologia da Prosperidade tem atraído grande número de pessoas que passam por estas dificuldades circunstanciais; só que, para receber bênçãos, inclusive a financeira, o cristão tem que ofertar na igreja, como uma espécie de barganha com Deus.

Deste modo, inevitavelmente, os ensinos desta teologia geram o grande questionando: será que é possível que determinados textos bíblicos realmente ensinem que há possibilidade de prosperar financeiramente através da observância dos dízimos e ofertas?

A teologia da prosperidade defende, por exemplo, que alguns textos bíblicos da Bíblia mostram que o fiel foi libertado de todos os tipos de doenças físicas, e portanto, é blindado contra quaisquer tipo de enfermidade – isso inclui, o corona vírus (Is 53,4-5). O problema é que para chegar à esta conclusão, os intérpretes desta teologia invés de considerar o texto bíblico em seu contexto histórico, gramatical e literal, espiritualizam e alegorizam o sentido do texto, impondo ao texto o ponto de vista deles, desprezando o ponto de vista intencionado pelo autor sagrado ao seu público original. Assim, acabam praticando “eisegese”, invés de “exegese”.

Sem dúvida, o erro crasso dos intérpretes defensores da teologia da prosperidade é de não levarem em conta o postulado de que “a Bíblia foi escrita por amor de todos os filhos de Deus; mas nem tudo que está na Bíblia foi escrita para todos os filhos dele” – esta afirmação é um consenso entre os hermenêutas ortodoxos. Isso quer dizer, na prática, que um cristão não deve, por exemplo, inferir que quando Deus promete a Abraão que através da descendência dele seriam benditas todas as nações da terra (Gn 12:3b; 18:18), isso implica que cada uma das bênçãos prometidas por Deus a Abraão recairiam a todos os filhos de Deus espalhados entre as nações. Por exemplo, quando Deus promete a Abraão “abençoá-lo e engrandecer o nome dele” (Gn 12:2), isso não significa que todos os filhos de Deus serão reconhecidos em grande escala, ou tão famosos quanto Abraão, ou tão bem-sucedidos financeiramente quanto ele, e nem que experimentarão os mesmos tipos de milagres que ele experimentou.

O apóstolo Paulo é tão claro quanto cristal ao explicar qual benção de Abraão é reservada a todos filho de Deus, quando ele escreve aos Gálatas dizendo: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitos, mas como de um só: E à tua descendência, que é Cristo” (Gl 3:13-16).
Ou seja, a bênção de Abraão a que se refere à Bíblia, especialmente para nós gentios, é Jesus Cristo, para os que têm fé nele. Simples assim.

Que benção poderia ser maior e melhor que essa? Afinal de contas, Como costuma dizer o pastor Paul Washer: “Jesus não é somente a cereja do bolo, ele é tudo que você tem; ou você tem Jesus, ou você não tem nada”.  Paz, amigos do Gospel Prime.

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