Antes destinos de ricos do país todo, hospitais privados de SP chegam ao limite e restringem pacientes de outras regiões

Antes destinos de ricos do país todo, hospitais privados de SP chegam ao limite e restringem pacientes de outras regiões
Antes destinos de ricos do país todo, hospitais privados de SP chegam ao limite e restringem pacientes de outras regiões

Rede Gazeta News Guarulhos

 

BBC News

21:49:14

A cena era comum por volta de setembro e outubro passado: um paciente de outro Estado chegava ao hospital Sírio Libanês, em São Paulo, em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea. Na busca de tratamento na unidade durante a luta contra a covid-19, não media recursos financeiros.

Uma internação particular no Sírio Libanês, apontado como unidade de excelência, tem custos elevados para quem não consegue a cobertura via plano de saúde. O valor costuma ser bem distante da realidade financeira de grande parte da população brasileira. Para os pacientes que vêm de outros Estados, a conta também inclui despesas como o transporte aéreo.

Políticos de diversos Estados, grandes empresários e tantos outros brasileiros endinheirados viajaram a São Paulo em busca de acompanhamento médico contra a covid-19, no Sírio Libanês ou em outra grande unidade de saúde privada da capital paulista, como o Hospital Israelita Albert Einstein.

Mas desde o mês passado, isso não tem mais sido possível. Diante da sobrecarga na rede pública e privada de São Paulo, em meio à explosão de casos de covid-19 em todo o país, as unidades de saúde particulares da capital paulista têm restringido o recebimento de pacientes que já estão internados em outros Estados.

De acordo com o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, havia 22 pessoas de outros Estados aguardando internação na UTI de covid do Sírio na noite de quinta-feira (26/02).

A reportagem da BBC News Brasil apurou que a orientação de unidades de saúde como o Sírio Libanês e o Albert Einstein é priorizar o atendimento àquelas pessoas que chegam às unidades da capital paulista por meio do pronto-atendimento.

Um ano depois do primeiro caso registrado de covid-19 no país, o Brasil já acumula 252 mil mortes e mais de 10,4 milhões de casos de covid-19.

Na quinta-feira (25/02), o país registrou 1.582 mortes em 24 horas, o número representa um recorde de óbitos registrados em um dia desde a primeira vítima fatal no Brasil, em março passado. A situação ilustra que os casos do novo coronavírus nunca estiveram tão em alta como agora.

Unidades de saúde de diversos Estados estão lotadas, gerando pedidos de transferência na busca por UTIs. E a saturação, que em diversos momentos ficou restrita às unidades públicas, agora também se estende para os hospitais privados.

“Após um ano da pandemia, a saúde no Brasil começa a dar sinais de que está colapsando. O sistema público e privado estão, juntos, começando a colapsar, não têm dado mais conta de atender o fluxo dos pacientes que estão chegando. É hora de refletir sobre isso”, declara o infectologista Alexandre Naime, chefe de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP).

Sírio Libanês e Albert Einstein

De acordo com o Sírio Libanês, atualmente há 171 pacientes internados na unidade em São Paulo em decorrência da covid-19. Desses, 48 ocupam os leitos de UTI disponíveis para casos do novo coronavírus no hospital — ao todo são 50.

A taxa de ocupação geral do Sírio Libanês, atualmente, é de 97%. Em nota, o hospital afirma que um comitê interno avalia a necessidade de realocar ou abrir novos leitos, diante da alta demanda.

“Essa implantação (de leitos) não acontece imediatamente, pois requer uma mobilização interna, o que, naturalmente, gera um período de espera até a acomodação do paciente. Na área hospitalar, esse fluxo faz parte do dia a dia, e é encarado como um processo de giro de leitos, e não uma fila de espera”, diz comunicado do Sírio Libanês à BBC News Brasil.

“O cenário atual no Hospital Sírio-Libanês está controlado, inclusive para realização de cirurgias, exames e outros procedimentos”, acrescenta o comunicado.

A reportagem apurou que a orientação no Sírio Libanês atualmente é avaliar cada pedido de internação que venha de fora de São Paulo. No entanto, as chances de o paciente ser transferido para a unidade de saúde são consideradas baixas. O hospital da capital paulista prefere destinar as vagas àqueles que chegam ao pronto-socorro da unidade.

Outra unidade que também recebia pacientes de todo o país, o Albert Einstein divulgou, nesta sexta-feira, que a ocupação total de seus leitos — para pacientes com a covid-19 ou sem a doença — chegou ao seu limite máximo. O hospital divulgou que, na quinta-feira (25/02) teve recorde de internações em 24 horas desde o início da pandemia: dos 76 internados, 26 foram por causa da covid.

No hospital há, atualmente, 141 pacientes internados com a covid-19, sendo 70 deles na UTI. Novas internações deverão esperar em uma fila.

Em nota, o Albert Einstein frisa que possui um gerenciamento de leitos clínicos e de UTI que permite aumentar a capacidade de atendimento conforme a demanda. No entanto, o comunicado da unidade de saúde destaca que “em cenário de lotação total, pode ser necessário um tempo de espera para obtenção de leitos”.

Por meio de assessoria de imprensa, o Albert Einstein confirmou que a prioridade de internação na unidade é para pacientes que chegam por meio do pronto-atendimento em São Paulo. A unidade não especificou em quais situações pode aceitar pacientes que já estão internados em outras regiões.

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