Bolsonaro sobe o tom contra o STF e ameaça Alexandre de Moraes

Bolsonaro sobe o tom contra o STF e ameaça Alexandre de Moraes
Bolsonaro sobe o tom contra o STF e ameaça Alexandre de Moraes
Ads

09:52:32

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro saíram em peso às ruas ontem, no dia de comemoração dos 199 anos da Independência do Brasil. Em discursos em Brasília e em São Paulo – onde ocorreram as duas principais mobilizações no país –, o chefe do Executivo subiu o tom contra o STF (Supremo Tribunal Federal) e ameaçou o ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito das fake news que, inclusive, tem como um dos alvos o próprio Bolsonaro.

brasilia-3© Fornecido por Metro brasilia-3

Todas as capitais registraram protestos a favor do governo federal. Em cima de caminhão de som e se dirigindo a uma multidão na avenida Paulista, em São Paulo, o presidente afirmou, em tom de ameaça, que “a paciência do nosso povo se esgotou” e que “não cumprirá” decisões de Moraes.

“Acabou o tempo dele [Moraes]. Ou esse ministro se enquadra, ou ele pede para sair. Não podemos admitir que apenas uma pessoa, apenas um homem, turve a nossa liberdade. Nós devemos, sim, porque eu falo em nome de vocês, determinar que todos os presos políticos sejam postos em liberdade”, esbravejou diante dos apoiadores.

Bolsonaro também chamou Moraes de “canalha”, afirmou que nunca será preso, e que apenas Deus poderá tirá-lo do cargo de presidente da República. A ofensiva foi vista como um “tudo ou nada” no momento em que a popularidade do chefe do Executivo está em queda. A última pesquisa Datafolha, de julho, mostra que apenas 24% aprovam seu governo.

ADS

Moraes virou o principal alvo de Bolsonaro após incluir o presidente no inquérito das fake news. O ministro também autorizou as prisões do deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) e do ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, acusados de ameaçar e incentivar agressões contra ministros do Supremo. Bolsonaro tem dito que as prisões de seus aliados são “políticas”.

Mais cedo, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ele também atacou o Supremo, mas sem citar nomes. “Não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica da região dos três Poderes continue barbarizando a nossa população. Ou o chefe desse Poder [ministro Luiz Fux] enquadra o seu [ministro Alexandre de Moraes] ou esse Poder pode sofrer aquilo que nós não queremos.”

Pautas antidemocráticas

Para além do discurso de ameaça do presidente Jair Bolsonaro ao STF, manifestantes também levaram para as ruas pautas antidemocráticas, como intervenção militar liderada pelo próprio Bolsonaro e o fechamento do Supremo.

Outro tema abordado pelos apoiadores do presidente foi o polêmico voto impresso nas eleições de 2022. No entanto, a PEC (proposta de emenda à Constituição) sobre o assunto já foi recusada pela Câmara dos Deputados em agosto.

 

“Acabou o tempo dele [Alexandre de Moraes]. Ou esse ministro se enquadra, ou ele pede para sair. Não podemos admitir que apenas uma pessoa, apenas um homem, turve a

nossa liberdade” 

Jair Bolsonaro, presidente da República

 

Doria defende impeachment; PSDB discutirá posição hoje

A cúpula do PSDB vai se reunir hoje para discutir a posição do partido em eventual processo de impeachment contra Jair Bolsonaro. Os governadores tucanos João Doria (São Paulo) e Eduardo Leite (Rio Grande Sul) defenderam ontem, pela primeira vez, o afastamento do presidente. Os dois devem disputar as prévias que vão escolher quem será o candidato do PSDB nas eleições de 2022.

© Fornecido por Metro

A reunião extraordinária do partido foi convocada pelo presidente Bruno Araújo. Ele escreveu nas redes sociais que o PSDB também estuda outras “eventuais medidas legais” contra Bolsonaro.

“Eu até hoje não havia feito nenhuma manifestação pró-impeachment, entendendo que, até aqui, os fatos deveriam ser julgados pelo Congresso Nacional, mas depois do que ouvi hoje [ontem], o Bolsonaro claramente afronta a Constituição e desafia a democracia, disse Doria. “Foi um erro colocar Bolsonaro no poder e está cada vez mais claro que é um erro mantê-lo lá”, afirmou Leite.

Em atos paralelos, gritos de ‘fora, Bolsonaro’ e críticas ao governo

Manifestantes contrários ao presidente Jair Bolsonaro e ao seu governo também saíram às ruas do país neste 7 de Setembro. Entre as palavras de ordem, predominaram os pedidos de impeachment e os protestos contra a alta dos preços e o desemprego.

Em menor número, se comparado ao volume de participantes nos atos em defesa do presidente, os oposicionistas se reuniram em manifestações paralelas realizadas em diversas em capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Brasília.

Em São Paulo, enquanto os bolsonaristas ocupavam a avenida Paulista, os opositores se concentravam apenas quatro quilômetros distantes, no vale do Anhangabaú, mesma região central da cidade, fazendo coro no tradicional ato do Grito dos Excluídos, em sua 27ª edição.

“Historicamente, o Grito levanta temas como o desemprego, fome e exclusão social para as ruas. Desta vez, a questão da defesa da democracia se impôs. Não sair às ruas seria um acovardamento”, disse o representante da Central de Movimentos Populares Raimundo Bonfim.

© Fornecido por Metro

O protesto em São Paulo foi aberto pouco antes das 15h com ato ecumênico comandado por líderes de diversas religiões, que chamaram atenção para o drama da fome, que tem se ampliado com a crise econômica e social provocada pela pandemia.

A manifestação também recebeu apoio de movimentos sociais e de partidos como Psol e PT, que levaram alguns de seus líderes, como os candidatos a presidente em 2018 Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (Psol).

Enquanto os participantes gritavam “fora, Bolsonaro” e exibiam cartazes pedindo por mais emprego, comida e vacina, Haddad discursou dizendo que o povo não deve “sossegar até ver um democrata eleito” e disse que Lula (mas sem citá-lo nominalmente) está “livre para nos representar em 2022 e salvar o país desse desastre”.

Boulos chamou Bolsonaro de “genocida” e lembrou dos crimes pelos quais os seus filhos são investigados. “Não temos medo de ameaça golpista, de intimidação de miliciano”, afirmou.

No Rio de Janeiro, os manifestantes exibiram um boneco com o rosto de Bolsonaro preso numa forca. Em Brasília, uma faixa na cor preta lembrou o luto pelos mais de 580 mil brasileiros mortos pela covid-19. Não houve registro de casos relevantes de tumulto ou violência durante os atos.

Provável adversário de Bolsonaro nas urnas, o ex-presidente Lula divulgou vídeo com críticas. “Ao invés de anunciar soluções para o país, o que ele faz é chamar as pessoas para a confrontação, é convocar atos contra os Poderes e contra a democracia.”

O ex-ministro Ciro Gomes, que tentará a Presidência novamente em 2022, disse nas redes sociais que “a maioria esmagadora do povo brasileiro é contra qualquer tentativa de golpe”.

ADS

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.