Cepal prevê ‘recessão profunda’ na América Latina

Cepal prevê 'recessão profunda' na América Latina
Cepal prevê 'recessão profunda' na América Latina
Cepal prevê 'recessão profunda' na América Latina
Cepal prevê ‘recessão profunda’ na América Latina

21:46:48

A América Latina está no começo “de uma profunda recessão”, com uma contração do Produto Interno Bruno (PIB) regional que chegará, em 2020, a entre 1,8% e 4%, devido à expansão mundial do coronavírus, além de um forte aumento da pobreza extrema, estimou a Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal) nesta sexta-feira.

“Estamos diante de uma profunda recessão. Estamos diante da queda do crescimento mais forte que a região teve”, disse Alicia Bárcena, secratária-executiva da Cepal, um organismo técnico das Nações Unidas com sede em Santiago.

A expansão do coronavírus terá um impacto especial nos países da América Latina, que já viviam um contexto econômico difícil após o crescimento fraco registrado em 2019, de apenas 0,1%.

Nesse cenário, a diminuição da atividade econômica nos principais parceiros comerciais da região, a queda no valor das matérias-primas e o golpe em setores como o turismo, levará a região a uma queda no PIB em uma faixa de 1,8% a 4%.

A contração de 1,8% considera apenas os efeitos na América Latina do declínio econômico da China, principal parceiro comercial da região, mas se somar o colapso econômico dos países que compõem a União Europeia, os Estados Unidos e o restante na região, o impacto será muito maior, na faixa de 3 a 4%, explicou Bárcena.

Antes do COVID-19, a Cepal esperava que a região crescesse no máximo 1,3% em 2020.

“O mundo está enfrentando uma crise humanitária e de saúde sem precedentes no século passado, em um contexto econômico já adverso. Ao contrário de 2008, essa não é uma crise financeira, mas uma de pessoas, de produção e de bem-estar”, acrescentou Bárcena.

– A pobreza cresce –

Se os efeitos do COVID-19 levarem à perda de renda de 5% da população economicamente ativa na América Latina, a pobreza poderá aumentar 3,5 pontos percentuais, de 185,9 milhões para 209,4 milhões.

A projeção de pobreza extrema não é mais animadora: espera-se um aumento de 2,3 pontos percentuais, de 67,4 milhões para 82 milhões, adicionando 35 milhões de pessoas à pobreza extrema na América Latina.

O valor das exportações da região cairá pelo menos 10,7% em 2020, devido aos preços mais baixos e à contração da demanda agregada global, enquanto as medidas de contenção terão custos de produção equivalentes a até 67% do PIB regional.

Para a Cepal, a saída da crise dependerá da força econômica de cada país, mas as “assimetrias” na região tornam ainda mais importante o papel desempenhado por organizações como o FMI e o Banco Mundial para garantir acesso a financiamento e sustentar os gastos sociais.

“O mundo e a região enfrentam uma recessão que terá efeitos no curto e no longo prazo. A questão é como minimizar seus custos e retomar o crescimento. A magnitude dependerá, entre outros fatores, da contundência da resposta econômica, em que a política fiscal tem papel fundamental”, enfatizou Bárcena.

A Cepal recomenda reorganizar os orçamentos para implementar pacotes de estímulo fiscal para fortalecer os sistemas de saúde, proteger a renda e minimizar a contração da economia.

Na área monetária, é necessário estabilizar as taxas de câmbio e preservar a solvência e o funcionamento do mercado bancário.

Além disso, a Cepal defende “facilitar empréstimos a juros baixos e adiar o serviço da dívida para países em desenvolvimento, incluindo os de renda média”.

Para 2021, a Cepal espera uma recuperação das economias latino-americanas com um crescimento de 2%.

“Existem países que vão se recuperar mais rapidamente do que outros, especialmente aqueles com capacidade produtiva instalada”, afirmou Bárcena.

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