General Paulo Sérgio vai comandar o Exército; Baptista Jr. assume a FAB e Almir Garnier, a Marinha

General Paulo Sérgio vai comandar o Exército; Baptista Jr. assume a FAB e Almir Garnier, a Marinha
General Paulo Sérgio vai comandar o Exército; Baptista Jr. assume a FAB e Almir Garnier, a Marinha

Rede Gazeta News Guarulhos

 

18:11:41

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro escolheu o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira como novo comandante do Exército. Ele substitui o general Edson Pujol, demitido com os comandantes da Aeronáutica e da Marinha, que rejeitaram tentativas do presidente de politizar as Forças Armadas.

Ao escolher o general Paulo Sérgio no Exército, Bolsonaro repete a ex-presidente Dilma Rousseff ao quebrar a tradição de escolher o oficial mais antigo para comandar a tropa. O nomeado era o terceiro pelo critério de antiguidade e seria o quinto caso dois outros generais não tivessem ido para a reserva nesta quarta-feira.

Em recente entrevista ao jornal Correio Braziliense, o general Paulo Sérgio, chefe do Departamento-Geral do Pessoal, apontou a possibilidade de uma 3.ª onda da covid-19 no País nos próximos meses e defendeu lockdown, contrariando o que prega o presidente, crítico a medidas de isolamento social. O general é próximo ao ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva, demitido por resistir a ofensivas de Bolsonaro.

 

 

Azevedo deixou o cargo por algumas razões: 1) ter mandado o general Eduardo Pazuello de volta para o quartel, quando Bolsonaro queria alocá-lo na Esplanada; 2) se recusou a confrontar decisões do Supremo Tribunal Federal, como queria o presidente; 3) se recusou a trocar o comandante do Exército, Edson Pujol, com quem Bolsonaro nunca teve boas relações.

Com a escolha de Paulo Sérgio, porém, Bolsonaro tenta apaziguar os ânimos e passar a mensagem para a tropa de que vai manter a continuidade.

Ao anunciar os novos comandantes, o general Braga Netto, novo ministro da Defesa, destacou o papel dos militares no enfrentamento da covid-19 e disse que as Forças Armadas “não faltaram no passado e não faltarão sempre que o País precisar”. “O Exército, a Marinha e a Aeronáutica se mantêm fiéis a suas missões constitucionais de defender a pátria e garantir as liberdades democráticas. O maior patrimôinio de uma nação é a liberdade de seu povo”, afirmou. Ao se referir ao presidente, Braga Netto disse Comandante Supremo escolheu os comandantes.

Preterido na escolha, o general mais antigo na cúpula do Exército, general José Luiz Freitas, elogiou a indicação pelas redes sociais. “Escolhido o novo Comandante do Exército, Gen Paulo Sérgio, excepcional figura humana e profissional exemplar. Como não poderia deixar de ser, continuaremos unidos e coesos, trabalhando incansavelmente pelo Exército de Caxias e pelo Brasil!”, postou o general, que deve ir para a reserva em três meses.

O segundo na lista de antiguidade era o general Marcos Antonio Amaro dos Santos, chefe do Estado-Maior do Exército, que cuidou da segurança da ex-presidente Dilma e foi chefe da Casa Militar no governo da petista.

Marinha e Aeronáutica

Na Marinha, o escolhido por Bolsonaro foi o almirante Almir Garnier. Neste caso, o presidente também ignorou a tradição e optou pelo segundo da lista de antiguidade. O primeiro era o almirante

Na Aeronáutica, assumirá o brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior, que demonstra nas redes sociais ser afinado ao governo, compartilhando mensagens ligadas a grupos de direita. Ele era o primeiro no critério de antiguidade.

Mais cedo, antes das escolhas serem anunciadas, o vice-presidente Hamilton Mourão defendeu o respeito ao critério de antiguidade na escolha da nova cúpula militar.

“Eu julgo que a escolha tem que ser feita dentro do princípio da antiguidade, até porque foi uma substituição que não era prevista. Quando é uma substituição prevista, é distinto. Então, se escolhe dentro da antiguidade e segue o baile”, afirmou o vice, que é general da reserva.

O presidente também havia sido aconselhado a seguir a lista para não criar atritos com generais mais experientes.

Isso porque os oficiais mais antigos passam à reserva se um militar mais “moderno”, com menos tempo de Exército, for alçado ao comando. A aposentadoria não é uma regra compulsória, mas costuma ter força de norma não escrita nos quartéis.

Os oficiais costumam pedir para deixar a ativa como forma de não serem comandados por um antigo subordinado, uma inversão na hierarquia.

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