Governo de SP anuncia força-tarefa para restringir a circulação entre 23h e 5h

Governo de SP anuncia força-tarefa para restringir a circulação entre 23h e 5h
Governo de SP anuncia força-tarefa para restringir a circulação entre 23h e 5h

Rede Gazeta News Guarulhos

 

Metro12:06:44

O governo de São Paulo anunciou ontem que vai endurecer a fiscalização para coibir as aglomerações entre 23h e 5h em todas as cidades. A medida, chamada de toque de restrição, começará a ser aplicada a partir de amanhã e valerá até o dia 14 de março.

O objetivo é reduzir a circulação de pessoas durante as noites e madrugadas e também combater as festas e eventos clandestinos, mais comuns neste período e que favorecem a transmissão do novo coronavírus, pois as pessoas deixam de usar máscara e relaxam no distanciamento.

As ações serão realizadas conjuntamente por equipes da Vigilância Sanitária, da Polícia Militar e do Procon, com o apoio das prefeituras.

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A medida foi anunciada depois que o estado bateu nesta semana o recorde de pessoas internadas pela covid-19 em UTIs desde o início da pandemia. Atualmente, 6,6 mil doentes estão hospitalizados.

Só nos últimos dez dias, São Paulo registrou a entrada de 660 pacientes nas UTIs. Nesse ritmo de crescimento, o sistema de saúde poderá entrar em colapso em três semanas por falta de leitos.

O centro de contingência disse que espera ver esse índice cair em duas semanas a partir do toque de restrição.

Mas e na prática?

Apesar da força-tarefa e da promessa de endurecimento na fiscalização, as medidas anunciadas ontem não criaram restrições adicionais.

Para as atividades não essenciais, como comércios e restaurantes, não haverá nenhum efeito prático porque esses estabelecimentos só podem operar hoje até as 22h.

Os serviços essenciais, como hospitais, farmácias, postos de combustíveis e o transporte público, continuarão com permissão para funcionar normalmente no período do toque de restrição.

A polícia informou que fará blitze para orientação, mas não há previsão de multa para ninguém que estiver circulando após as 23h. Nem mesmo as pessoas que forem flagradas em festas clandestinas serão autuadas, já que o foco, segundo o governo, é punir os promotores desses eventos que geram aglomerações.

O governador João Doria (PSDB) enfatizou que a medida não pode ser comparada com lockdown ou toque de recolher e corrigiu durante a coletiva os veículos da impressa que usaram os termos para classificar o anúncio.

Essas ações são mais severas e impopulares, mas mesmo assim já estão sendo adotadas para conter o avanço da pandemia em diversas partes do país e até mesmo por cidades paulistas.

Araraquara, no interior, quase dobrou as internações em um mês e, por isso, está em lockdown desde domingo, por ordem da prefeitura.

Todo o comércio está fechado, o transporte público parou e os serviços essenciais funcionam só parcialmente. A população deve sair de casa apenas para trabalhar ou procurar atendimento médico. Quem for flagrado na rua em outra atividade pode ser multado em R$ 120.

Parte das prefeituras do ABC anunciou ontem que os serviços fecharão uma hora mais cedo, às 21h, e que haverá toque de recolher entre 22h e 4h, com restrição para a circulação das pessoas.

Integrante do comitê queria rigor maior

Médico infectologista e integrante do centro de contingência, Marcos Boulos disse ontem que o comitê já havia pedido há três semanas o reforço da fiscalização e que o grupo tinha outras recomendações para endurecer a quarentena. “As sugestões eram muito mais do que essas, e mais restritivas, mas essas foram as acatadas pelo governo, casando interesses com as pastas econômicas e de saúde”, disse Boulos à BandNews FM. Entre outras ideias, o médico defendeu a inclusão de mais regiões na fase 1-vermelha, a mais dura, principalmente nas áreas com alta taxa de ocupação de leitos, e que o reforço da fiscalização começasse mais cedo. Para o secretário da Saúde da Prefeitura de São Paulo, Edson Aparecido, o toque de restrição é voltado para os jovens de 25 a 40 anos, “hoje o contingente da população que mais transmite a doença e que está nos bares, nos pancadões e que circula nas madrugadas.

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