Lula critica Bolsonaro e busca alianças para 2022

Lula critica Bolsonaro e busca alianças para 2022
Lula critica Bolsonaro e busca alianças para 2022

Rede Gazeta News Guarulhos

 

19:30:55

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira (10) a política “imbecil” do governo de Jair Bolsonaro contra o coronavírus e se apresentou como uma figura de conciliação em um país devastado pela pandemia e crise econômica.

Em sua primeira aparição pública desde que recuperou os direitos políticos por decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente (2003-2010) não informou se pretende se apresentar à disputa presidencial de 2022, mas se disse aberto a buscar alianças com todos os setores.

“Vou ser muito claro: eu seria pequeno se estivesse pensando em 2022 nesse instante”, quando os mortos pela pandemia batem recordes, com um número que se aproxima de 270.000, declarou o fundador do Partido dos Trabalhadores (PT).

“O partido vai pensar, quando chegar o momento, se vai ter candidato ou vai ser candidato numa frente ampla. Mas acho que agora os partidos têm que colocar as lideranças para discutir a vacina, o salário”, acrescentou.

O desastre da crise sanitária no Brasil, o segundo país em número de mortos pelo coronavírus atrás dos Estados Unidos, foi o principal tema de seu discurso no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo.

“Quero fazer propaganda para que o povo brasileiro não siga nenhuma decisão imbecil do Presidente da República ou do Ministério da Saúde. Tome vacina, tome vacina porque essa é uma das coisas que pode livrar você da covid”, afirmou Lula, anunciando que será vacinado na próxima semana.

O ex-presidente, de 75 anos, lamentou que “as mortes estão se naturalizando” no Brasil.

“Muitas delas poderiam ter sido evitadas, se a gente tivesse um governo que fizesse o elementar”, considerou.

“A primeira coisa que deveria ter sido feita no ano passado era criar um comitê de crise” com a participação de cientistas, mas “tivemos um presidente que falava de cloroquina e que era uma gripezinha”, continuou, referindo-se às declarações de Bolsonaro que minimizaram a pandemia e preconizaram o uso de medicamentos sem evidências de eficácia contra a doença.

“Este país não tem governo, não tem Ministro da Saúde, não tem Ministro da Economia” e “por isso está empobrecido”, acusou Lula.

“É um país desgovernado”, acrescentou.

A economia brasileira encolheu 4,1% no ano passado, uma queda amortecida pelo pagamento do auxílio emergencial a um terço da população, mas que em janeiro foi encerrado.

Bolsonaro participou à tarde de uma cerimônia de liberação de recursos para a compra de vacinas, poucas horas após o discurso de Lula.

Ele se apresentou usando uma máscara, o que ele geralmente evita, e usando palavras mais moderadas do que o normal.

“Confiamos no nosso governo, confiamos no nosso Ministério da Saúde (…), porque a seriedade e a responsabilidade fazem parte do nosso governo”, disse o presidente.

“O discurso de Lula abriu o calendário eleitoral”, disse à AFP o analista político Creomar de Souza, da consultoria Dharma.

“Quando Lula fala que não é radical (…), ele está sinalizando para o mercado”, acrescentou.

A Bolsa de Valores de São Paulo, que havia caído quase 4% quando Lula recuperou seus direitos políticos, subia 1,24% menos de uma hora antes de fechar.

  • “Não tenham medo de mim” –

Segundo pesquisas, Lula é o político com mais chances de impedir a reeleição de Bolsonaro, embora seu nome enfrente forte resistência em setores da classe média e em outros partidos de esquerda e centro-esquerda.

Lula não comentou se assumirá o papel de candidato, mas deixou claro que terá um papel de protagonista e que se dedicará a dissipar os receios.

“Não tenham medo de mim. Eu sou radical porque quero ir à raiz dos problemas neste país. Porque quero ajudar a construir um mundo justo, mais humano, em que trabalhar e pedir aumento de salário não seja crime. Em que a mulher não seja tripudiada por ser mulher. Um mundo em que a gente venha a abolir o maldito preconceito racial”, proclamou, acrescentando que pretende “conversar com empresários”.

Lula acrescentou que continuará lutando para ser totalmente inocentado das acusações de corrupção pelas em 2018 o levaram à prisão durante 18 meses.

“Fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história”, declarou.

O ministro do STF, Edson Fachin, decidiu na segunda-feira anular as sentenças e todo o processo contra Lula no âmbito da Operação Lava Jato.

Porém, a decisão não significou sua absolvição, apenas indicou que o petista deve ser julgado pela Justiça Federal no Distrito Federal.

“A palavra desistir não existe no meu dicionário”, afirmou Lula.

  • Lula agradece apoio do papa e líderes –

Lula agradeceu nesta quarta-feira a “solidariedade” do presidente argentino, Alberto Fernández, e do papa Francisco nos últimos anos.

Fernández “foi a primeira pessoa a me telefonar após a decisão judicial” que restaurou seus direitos políticos.

Ele também destacou o apoio do papa Francisco. “Não só porque me enviou uma carta com uma pessoa que foi me visitar (…), mas também porque ele teve o coragem de me receber no Vaticano, onde tivemos uma longa conversa sobre a desigualdade” em fevereiro de 2020.

Lula descreveu o ex-presidente uruguaio José ‘Pepe’ Mujica como “uma das pessoas mais extraordinárias que já conheci”.

Também mencionou o ex-presidente boliviano Evo Morales, o senador norte-americano Bernie Sanders, o ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e a prefeita de Paris, Anne Hidalgo.

Depois de seu discurso, e em resposta a um jornalista, também incluiu na lista os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel.

Referindo-se a Maduro, Lula reiterou sua posição de que “o problema da democracia venezuelana é do povo venezuelano”.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.