O estranho asteroide que pode ser um pedaço da Lua

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15:09:56

Há alguns anos, os cientistas se perguntam qual é a origem do asteroide Kamo’oalewa.

Ele foi descoberto em 2016 e os astrônomos sabem que sua órbita é relativamente próxima da Terra.

Não se sabe muito mais sobre ele além disso. Novas pesquisas, no entanto, adicionaram pistas à sua origem misteriosa: ele pode ser um fragmento de nossa própria lua.

“Ele não tem as características que esperaríamos em um asteroide ‘normal'”, diz Benjamin Sharkey, astrônomo da Universidade do Arizona e principal autor de um novo estudo publicado na revista científica Nature.

“O material foi possivelmente ejetado da superfície da Lua com a colisão de um meteorito”, diz o pesquisador venezuelano Juan Sánchez, que participou da pesquisa.

Embora a obtenção de amostras do Kamo’oalewa para confirmar essa tese seja algo que ainda pode demorar alguns anos, os cientistas têm vários indícios de que a hipótese está correta.

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A órbita do asteroide em relação ao Sol e em relação à Terra© NASA/JPL-Caltech A órbita do asteroide em relação ao Sol e em relação à Terra

Um ‘quasi-satélite’

O Kamo’oalewa (anteriormente conhecido como 2016 HO3) foi descoberto em 2016 pelo telescópio Pan-STARRS 1, que está localizado no Havaí.

Os cientistas deram ao objeto celeste um nome na língua havaiana que pode ser traduzido para o português como “fragmento celeste oscilante”.

O asteroide tem aproximadamente 40 metros de comprimento e é tecnicamente considerado um “quasi-satélite” da Terra.

“Um quasi-satélite da Terra é um objeto que está em uma configuração coorbital com a Terra. o objeto permanece próximo ao nosso planeta enquanto orbita o Sol”, explica Sánchez.

Ao contrário da Lua, o Kamo’oalewa não orbita a Terra, mas o Sol, em um caminho paralelo ao que faz nosso planeta.

Os cientistas detectaram até agora a existência de cinco quase-satélites, mas conseguiram estudar praticamente só o Kamo’oalewa.

“Ele é mais fácil de observar do que os outros quasi-satélites conhecidos. Uma vez por ano, durante o mês de abril, esse objeto torna-se brilhante o suficiente para ser observado com grandes telescópios da Terra”, diz Sánchez.

Os outros são menos visíveis e não puderam ser analisados.

A equipe usou o potente telescópio do observatório de Lowell, no Arizona (EUA)© Getty Images A equipe usou o potente telescópio do observatório de Lowell, no Arizona (EUA)

Uma rocha muito especial

Ao observar este asteroide, os astrônomos descobriram que ele é estranhamente vermelho, uma indicação da presença de minerais metálicos.

“Em termos simples, basicamente o que fizemos foi estudar como a luz solar se reflete na superfície desse objeto para tentar determinar do que ele é feito. O que descobrimos é que o objeto é feito de silicatos (uma classe de minerais)”, diz Sánchez.

“E o que chamou nossa atenção é que essa aparência se assemelha mais à superfície de nossa Lua do que outros asteroides próximos à Terra que foram estudados”, continua o físico.

Os cientistas também explicam que a única rocha semelhante conhecida é uma amostra lunar trazida pelas missões Apollo na década de 1970.

“Isso chamou nossa atenção. O fato de termos observado essa composição em um quasi-satélite da Terra, um objeto que orbita o Sol, muito próximo à Terra, nos faz suspeitar que o objeto poderia ter se originado na superfície da Lua” diz Sánchez.

Outras hipóteses sustentam que Kamo’oalewa poderia ser parte dos chamados objetos próximos da Terra, ou “asteroides troianos”, que não estão necessariamente relacionados à dupla Terra-Lua.

Mas os autores do novo estudo consideram que os dados obtidos apontam mais fortemente para sua hipótese.

“Não temos 100% de certeza e não podemos descartar que o objeto tenha simplesmente sido capturado da população geral de asteroides próximos à Terra. A única maneira de saber com certeza é obter amostras do objeto”, diz Sánchez.

Isso pode não ser tão difícil. Se os planos da China forem adiante, nesta década Pequim lançará uma missão robótica que visitará o Kamo’oalewa e um cometa para trazer amostras.

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Então os cientistas poderão confirmar se o Kamo’oalewa é mesmo uma parte da Lua.

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