O plano B de Lima em Portugal

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    Aualizado 11/04/2013 as 04:48

    Em dezembro de 2003, aterrava em Portugal um jovem futebolista brasileiro em busca do sucesso. Um então desconhecido Lima tinha o Vizela, clube da 2.ª Divisão (terceiro escalão) como destino, mas a primeira aventura em solo português foi discreta e  acabou quase tão depressa como tinha começado. Mas o destino tinha um plano B traçado para o atacante que é, agora, uma das principais figuras da grande campanha que o Benfica está a fazer em 2012/13.

    Com apenas 19 anos, Lima atravessou o Atlântico para experimentar o futebol europeu, mas se a juventude não apagava a qualidade que já era reconhecida ao avançado, é certo que a experiência durou apenas seis meses e o regresso ao Brasil foi a solução. Passou por vários clubes, entre os quais Juventus de São Paulo, Santos e Avaí, chegando a jogar na Copa Libertadores, mas o futebolista nascido em Monte Alegre, no Pará, tinha contas por ajustar emPortugal.

    Depois de uma transferência falhada para a Ucrânia – chegou a ter quase tudo acertado com o Metalist -, assinou pelo Belenenses em 2009/10 e foi no clube lisboeta que começou a comprovar as qualidades que o acabariam por tornar num dos avançados mais temíveis do campeonato português. Nessa época só marcou dez golos, é certo, mas despertou o interesse dos maiores clubes de Portugal.

    Na final da Liga Europa
    Foi o Braga a ganhar a corrida pela transferência de Lima que, no Minho, participou em alguns dos maiores feitos dos Arsenalistas. Foi fundamental no apuramento do clube para a fase de grupos da UEFA Champions League – marcou um “hat-trick” em Sevilha na segunda mão do “Play-off” -, jogou a maior competição do futebol por clubes do Velho Continente e, a partir daí, foi sempre a subir.

    Relegado para a UEFA Europa League na segunda metade de 2010/11, o Braga aproveitou a oportunidade e acabou mesmo por chegar à final da competição – perdida para o FC Porto -, na qual Lima foi titular. A desilusão sofrida no jogo decisivo em Dublin não impediu o avançado de continuar a estabelecer novas marcas na carreira.

    No início de 2011/12, foi desafiado pelo presidente do Braga a marcar 20 golos na temporada, aceitou a “aposta” e venceu por goleada. Assinou 26 tentos, provou, definitivamente, as qualidades de goleador e abriu as portas para mais um grande passo.

    Em cima da hora
    O último verão foi recheado de notícias sobre o futuro de Lima. Apontado como reforço de várias equipas, o avançado teve, no entanto, de esperar pelo último dia do mercado de transferências para ver concretizada a mudança para o Benfica. Estava escrita a última página, pelo menos para já, do plano B do avançado em Portugal.

    Na Luz, encontrou forte concorrência no ataque – o paraguaio Óscar Cardozo e o internacional sub-21 espanhol, Rodrigo -, mas a resposta de Lima foi a mesma de sempre. Pagou a confiança que as Águias depositaram em si com aquilo que os adeptos de qualquer clube mais desejam: golos.

    E foram muitos, e muito importantes, até agora. Em 43 jogos oficiais, Lima marcou 25 golos, é o terceiro melhor marcador do campeonato, com 15 golos, atrás do portista Jackson Martínez (23) e do companheiro Cardozo (16), e tem sido ator principal na campanha que o Benfica está a fazer, envolvido na corrida por três títulos.

    Tudo isso faz com que o brasileiro não tenha dúvidas ao responder sobre ser este o melhor momento de sua carreira. “Acredito que sim. Estou num grande clube. Sem desrespeitar o meu antigo clube, no ano passado tive bons momentos, mas este ano está a ser maravilhoso”, assegura ele.

    De olho em novo feito
    Em 2010/11, o Benfica foi afastado da final da Liga Europa pelo Braga onde jogava Lima, mas, agora, o avançado espera continuar a contribuir para devolver as Águias a uma final europeia. Marcou um dos golos na vitória, por 3 a 1, sobre o Newcastle, na primeira mão dos quartos de final, e esta quinta-feira espera repetir o feito em St James Park e, quem sabe, provocar ainda mais elogios do treinador Jorge Jesus.

    “O Benfica é que fez o Lima: as ideias da equipa, a forma como nós trabalhamos”, explicou o treinador após mais uma bela atuação do avançado, na primeira mão ante o Newcastle. “Só o conhecia em termos técnicos e ainda por cima é uma pessoa espectacular, todos os treinadores gostam de trabalhar com ele, tem um caráter espetacular.”

    Mas a competição europeia é apenas uma das provas que Lima e o Benfica ainda estão a disputar. Com quatro pontos de avanço sobre o FC Porto no campeonato e em vantagem nas meias-finais da Taça de Portugal (venceu o Paços de Ferreira, por 2 a 0 na primeira mão), o clube lisboeta ainda corre uma tripla inédita no seu historial. E Lima, no grande momento de forma em que está, será obviamente uma das principais armas da equipa de Jorge Jesus.

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