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09:08:25

Evanilson de Souza falava sobre o programa de combate ao racismo que desenvolve na corporação quando um dos participantes começou a escrever ofensas sobre a tela compartilhada.

O ouvidor da polícia, Elizeu Soares Lopes, que também é negro, prestou solidariedade ao tenente-coronel. Segundo a PM, Evanilson deverá registrar um Boletim de Ocorrência nesta quarta-feira (10).

O tenente-coronel não foi encontrado para comentar o assunto até a última atualização desta reportagem. Procurada, a USP ainda não se pronunciou.

Tenente-coronel Evanilson está reformulando manual de Direitos Humanos da PM de SP — Foto: Marcelo Brandt/G1

Tenente-coronel Evanilson está reformulando manual de Direitos Humanos da PM de SP — Foto: Marcelo Brandt/G1

Manual para combater racismo

 

Em entrevista ao G1 em dezembro do ano passado, o tenente-coronel Evanilson falou sobre seu trabalho na revisão do manual de Direitos Humanos da Polícia Militar.

“O negro tem pressa, porque é muito tempo sofrendo a mesma coisa. O racismo está enraizado nas pessoas historicamente e culturalmente e elas não percebem isso”, disse Evanilson naquela ocasião.

O novo manual, segundo ele, tem o objetivo de “contribuir para a desestruturação do racismo estrutural”.

Evanilson tem 50 anos e comanda o 11º Batalhão da PM, na área dos Jardins e Consolação, região central da capital paulista.

A ideia de se reformar o manual, de acordo com ele, é fazer com que os policiais paulistas reflitam e se conscientizem de que o racismo está presente no dia a dia nas ruas e identifiquem atos discriminatórios próprios e de colegas que possam ser corrigidos.

Tenente-coronel da PM sofre ataque racista em conferência online — Foto: Reprodução/TV Globo

Tenente-coronel da PM sofre ataque racista em conferência online — Foto: Reprodução/TV Globo

O atual manual da PM é de 1998 e a nova versão, segundo Souza, deve ficar pronta no 1º semestre de 2021.

“É importante mostrar para as pessoas que o racismo existe, que não é exagero, não é só um costume, uma brincadeira, um jeito. Porque é cultural e tradicional dessa forma [de discriminação]. É um racismo estrutural da sociedade que se arrasta até os dias de hoje”, disse Evanilson, ainda em 2020.

Ele mesmo já havia relatado ter sido vítima de racismo.

“Não será uma caça às bruxas, mas não vamos mais tolerar discriminações de nenhuma forma”, afirmou o coronel à reportagem.

 

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